DETALHES

Jun 15 2021 - Jun 30 2021
Corredor do auditório
Ficha Técnica

Autoria/Pesquisa: Carla Bocchetti; Fotografia: Mariano Silva; Leitura de textos: Félix Tembe (Changana), Sara Laisse (Português), Paulo Guambe (Gitonga), Davety Mpiuka (Shimakonde), José Nazaré (Makua), Carla Bocchetti (Grego antigo)

Agradecimentos: Escola Italiana Giovanni Falcone, Maputo, Centro Cultural Franco-Moçambicano, Sofia Corral e Juliana Corral

Embora a Odisseia de Homero seja considerada sobretudo uma obra fundadora da Cultura Europeia e da supremacia Ocidental, muito pode ser dito com vista a descentralizar o discurso e vinculá-lo a novas realidades onde surgem diversos novos significados, permitindo reescrever novas histórias, incluir novas vozes e colocar o texto em geografias que expandem os limites do mar Mediterrâneo.
Eratóstenes (Siglo III BCE), que mediu a circunferência da terra, considerava que as viagens de Ulisses não eram representativas de uma geografia real, a sua famosa frase: “Encontrarás a rota das viagens de Ulisses quando encontrares o sapateiro que coseu o saco dos ventos”. A exposição: “Homero e o Oceano Índico”, através do canto XI, que narra a visita de Ulisses ao mundo dos mortos – um dos cantos mais famosos de Homero que serviu de inspiração ao inferno de Dante Alighieri, propõe de uma forma visual o cruzamento da geografia (paisagem) com o texto literário. Muitos investigadores situaram as viagens de Ulisses em Itália, principalmente os episódios de Circe nas ilhas Eólias, o Hades em Etruria, e Caribdis no Estreito de Messina. É importante colocar Odisseia em novos mares, assim como Walcott usou o mar das Caraíbas para narrar a sua Odisseia, o Oceano Índico pode ser um novo autor que narra e cruza realidades e histórias da costa de África Oriental, África do Sul, da Índia e do Médio Oriente. Azania e Rapta, nomes que nomearam a Costa Oriental de África no trajecto do Mar Eritreo no século I CE, adquirem um novo valor histórico visto de uma perspectiva de investigação que dê importância aos encontros globais.

Inspirado na exposição do artista português, sediado no Luxemburgo,
Marco Godinho e a sua exposição na Bienal de Veneza 2019, Written by
Water, a exposição “Homero e o Oceano Índico” recria a ficção do mar reescrevendo a Odisseia, mas desta vez com outros protagonistas, com narrativas interoceânicas de migrações, com novas histórias, circuitos biográficos e de respostas com base nas rotas comerciais ditadas pelos ventos das oportunidades que estabelecem outras formas de resposta (nostos).
Estudar a Cultura material do Oceano Índico, observando o intercâmbio comercial de objectos do nosso quotidiano, como por exemplo a porcelana chinesa ou portuguesa, que ainda hoje podemos encontrar fragmentos nas praias da Ilha de Moçambique, cria a opção de olhar para a antiguidade greco-romana dentro das metodologias utilizadas pela história global. A história global entende o mundo como plano, sem hierarquia, onde as vastas áreas geográficas interconectadas por relacionamentos comerciais assumem valor, permitindo assim a criação de formas alternativas àquelas já pressupostas da periferia central e da história pós-colonial. Por sua vez, torna possível conectar estudos clássicos a outras disciplinas com as quais normalmente ainda não existiu um diálogo anterior.
A presença de Homero no Oceano Índico, ou a sua ausência, pode ajudar-nos a repensar, em diferentes níveis, as histórias da Odisseia escritas pelo Oceano Índico, como a escravidão, o trabalho forçado, as migrações, e aspectos da história de Moçambique e os seus problemas vistos de uma perspectiva regional, principalmente conectada com o afastamento moçambicano da África do Sul.

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