No âmbito das celebrações do Dia Mundial da Dança, o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) acolhe, na Quarta-feira, 29 de Abril, às 18h30, na Sala Grande, duas performances da bailarina e coreógrafa moçambicana Janeth Mulapha.
O programa inicia com “Nzula: Filhas do Índico”, uma trilogia performativa que parte do Tufo — dança tradicional moçambicana liderada por mulheres — para explorar as relações entre corpo, território e memória ancestral, propondo uma reinterpretação contemporânea onde o corpo se afirma como espaço de resistência, criação e arquivo vivo.
Segue-se “Let’s Talk”, um solo interpretado pela própria artista, que investiga o corpo feminino africano como território social, político e histórico, abordando questões como autonomia, tradição, sobrevivência e as continuidades das dinâmicas coloniais nas relações globais.
A iniciativa propõe uma celebração da dança enquanto linguagem artística, política e social, destacando o corpo como espaço de memória, expressão e transformação.
SOBRE A ARTISTA
Janeth Mulapha é bailarina, performer e coreógrafa moçambicana, nascida em Maputo, com um percurso de mais de duas décadas na dança contemporânea. Iniciou a sua formação em 1998 na Escola de Dança Máscara e integrou, em 1999, a companhia Culturarte, onde desenvolveu uma carreira sólida como intérprete ao longo de mais de 20 anos, participando em diversos espetáculos e circulações nacionais e internacionais.
Ao longo do seu percurso, colaborou com criadores como Horácio Macuácua, Thomas Hauert, Faustin Linyekula e David Zambrano, bem como com Panaibra Canda, experiências que contribuíram para o aprofundamento e expansão da sua linguagem artística.
Como criadora, desenvolve obras que exploram o corpo como território político e poético, abordando temas como identidade, memória, género e herança colonial. Entre as suas criações destacam-se My Gender Lives Here, Let’s Talk, Vozes e (In)Visible. Integra actualmente a trilogia MULAPHA – O Corpo Migratório, da qual faz parte NZULA – Filhas do Índico.
Paralelamente, desenvolve trabalho de formação e mentoria com enfoque em mulheres e jovens, afirmando-se como uma voz relevante na dança contemporânea africana.
